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quinta-feira, 20 de maio de 2010

As coisas que eu odeio, parte I

São tantas as coisas que eu quero falar e comentar, que não há um espaço reservado em minha tão conturbada mente responsável pela a organização do que precisa ser dito. Acabei de chegar em casa e dentro do ônibus vim pensando (e olha que isso ocupa todo meu raciocínio) o que ia escrever quando chegasse, queria que desta vez fosse algo planejado e não cuspido como tem sido. Então pensei, pensei e por fim concluí: quero falar tudo o que eu penso e o que eu acho que deva ser dito (é a minha opinião, lembrem-se disso). Nesse pensamento todo fiquei mastigando as coisas que eu gosto e as coisas que eu não gosto. Gosto de escrever, e pensei: posso começar falando disso. Mas daí percebi que a lista de coisas que eu não gosto é imensamente maior do que a de coisas que eu gosto. Fechei comigo mesmo. Desci do ônibus desesperado e cheguei ligando o computador. Cumprimentei meus cães e fui abrindo o Word. Taquei o título acima e fui logo acrescentando “parte I” porque são tantas as coisas que eu odeio que em um único texto não caberiam. Só agora que estou escrevendo, neste exato segundo, já marco um ponto em: odeio o escarcéu que meus cães fazem quando preciso me concentrar. Mentira! Odeio o escarcéu que eles fazem a qualquer hora e em qualquer circunstância. Sério, tirando o fato de que eles são os seres mais preciosos que me dedico, não suporto a latição destes. Sempre me perguntei: Se a gente sabe falar e gritar e sussurrar, por que é que eles não podem aprender a latir em distintos níveis de decibéis? Podiam assim fazer o seus aus aus aus, em tom de conversa: “au au au au au (ta ouvindo o povo passando lá fora?) au au au au au (estou, o que a gente faz?) au au au au au (agora nada, papai ta em casa escrevendo) au (legal)” Já até imaginei, com certeza eu os amaria ainda mais.

Ser interrompido ao produzir (fazer o que me der na telha, isso inclui fazer nada e porra nenhuma). Só agora digitando essas linhas o Rafael (o Souza. Ta que ta aparecendo por aqui, hein Tigrão?!) (putz, tigrão ficou gay) já me ligou falando que não haverá aula amanhã cedo pois a faculdade será dedetizada (acrescentar “faculdade sendo dedetizada” na lista de coisas que eu odeio). Beleza, poupou-me o trabalho de ir lá em vão. Isso passa. Daí, vem meu gato (que estava dando um rolé lá fora) e começa a miar pedindo pra entrar. Paro de escrever de novo pra ele entrar...mas falando assim, fica parecendo que eu não os amo. E outra, isso é muito pouco perto do tanto de outras coisas que eu odeio (logo chego nas novelas, a Globo, os emos, as lésbicas e etc.) (MENTIRA!!! As lésbicas eu adoro)

Acordar cedo (já ouço a ovação dos preguiçosos de plantão). Acordar cedo é tão desgraçado que vou deixa pra escrever isso num dia que eu acordar cedo pra poder escrever inspirado.

Dormir tarde! Parece idiotice um cara que não gosta de levantar cedo odiar dormir tarde. Mas pensem comigo, eu sempre (quase) tenho que levantar cedo (parece até uma maldição) logo; dormir cedo é a continuação do meu inferno. O pior é que eu sempre sobro nessa. São raros os dias que eu consigo pegar no sono antes da uma da manha (varia entre uma e duas, mas se estende às vezes até as cinco ou seis).

Odeio “você”, Ser incógnito, que preferiu ser anônimo neste texto, mas que me disse: “o bom escritor deixa características de quem se refere sem identificá-lo”. (Aqui vão suas características, fresco: mais magro do que uma moça e mais fumante do que o “Canceroso” [ta, ta... quase tão fumante quanto este]) Isso tudo só porque ele acabou de me interromper por mais de dez minutos, agora mesmo pelo telefone (mentira, você até que é bacana, Dalton. Oh, ops... foi mal, quis dizer, anônimo).

Isso me faz acrescentar uma coisa: odeio o telefone, seja ele fixo, móvel, por satélite, por sinal de fumaça o que for. Sei que preciso dessa merda (vale neste caso citar uma pessoa loira de olhos verdes, certo?!), mas se não precisasse (eu sei que eu não preciso) não o teria, nenhum deles. Não existe forma mais eficiente do que esta pra poder azucrinar a vida de uma pessoa. (nota mental: planejar minha ausência na sociedade com mais urgência).

Odeio quando a página do Word termina e eu ainda não acabei de dizer o que eu queria (neste caso é porque eu não gosto de me alongar por mais de uma página para que meus textos não se tornem chatos de serem lidos) e assim já estou invadindo a segunda página. Estou ficando tão neurótico com os meus ódios que acabo me irritando. Pronto ta aí mais uma coisa que me enfurece: eu (me odeio)...

Continua...

quarta-feira, 19 de maio de 2010

O Escrevedor

Quando vou escrever algo, penso, dependendo da ocasião, de duas maneiras básicas; uma é quando eu planejo exatamente o que vou escrever, como quando estou escrevendo o meu livro, outra é quando eu começo a digitar, ou mesmo rabiscar algumas linhas, desentulhando o que há dentro de mim. Este texto está sendo feito da segunda forma. Pensei basicamente no que escreveria e a única coisa que não me sai da cabeça é: tenho que escrever pra caralho! O importante, é que, eu não estou fazendo isso por obrigação, mas por inspiração. Minha mente está atolada de idéias e de coisas a serem “cuspidas” pro papel. Estou me sentindo sufocado pelas minhas vontades (ainda bem) e não posso parar pra pensar muito, apenas escrever. Luto ainda com a maldita preguiça e também com a merda da desorganização, mas de vez em quando eu ganho. Como diz o Rafael (Souza), o importante é não desistir. Concordo e ponho o meu na reta... sempre. Aqui está um resultado. Um deles, um dentre milhões. Legal também é que, quanto mais eu escrevo, mas sinto falta de tocar, de desenhar. Ou seja, a vontade de criar vem para todos os lados.

Mas é bom lembrar que no meu antigo texto “Necessidade e decepção” eu abordei (desabafei) a “não colaboração” dos meus amigos “escrevedores”, e disse também que eu não ia desistir de fazer o que eu queria nem que fosse apenas comigo mesmo. Então... está sendo assim, ando contando comigo mesmo. Produção após produção estou sempre comigo mesmo, e como disse meu inestimado professor, Rochinha, ainda esta semana, “melhor companhia impossível”. Vou vivendo assim, o foda é conseguir produzir tudo o que almejo. Não desisti de meus planos (gigantescos) nem parei de tentar arrumar ajuda (tolo), mas eu não parei também de escrever e isso é o que está sendo melhor em mim. O que eu preciso além de mim mesmo? Humm... deixe me ver....ããã...EU, só eu!

Convicto de meus ideais, suprido da necessidade alheia (ou quase completamente), vou caminhando (digitando ou “cursivando”) minhas mais belas inspirações. Toscas ou mal acabadas também, mas boas idéias que vem e que vão, e sendo tantas, pensar que tenho que por pra fora tudo o que eu crio, tenho que ser rápido... mais rápido do que o pensamento (o que é mais rápido do que isso?) pois o que eu não transmuto em palavras, pode ser que venha a se perder no limbo eterno da minha mente sem controle e direção (organização também).

O que sou? Um escritor? Lembrei-me de uma vez, há muitos anos atrás, quando fui me tratar de uma LER na mão esquerda (não era por masturbação, senão seria a direita), numa consulta com um ortopedista. O dito cujo, ao perguntar-me sobre o problema da mão, argüiu-me: “qual a sua profissão?” respondi: “músico” e retrucou: “você tem a carteirinha da ordem dos músicos?” eu disse: “não, não preciso dela pra dar aulas” o cara: “então você não é músico”. Bom até eu explicar pro imbecil que se eu me sustentava com música eu era um músico (até porque, qualquer um que cante “atirei o pau no gato” tira essa merda de carteira da ordem), gastou-me quase que a consulta inteira. Então, pra não ser massacrado por um outro “ortopedista” (neste caso, especializado em profissões e os documentos necessários para se exercer um cargo), vou logo me defendendo que não posso me considerar um escritor (afinal, não vivo disso... ainda), então o que eu sou? “Blogueiro”? (o nominho fodido) Até porque eu também escrevo além deste blog. Por falta de um nome adequado, escolhi um pra mim: sou um escrevedor! Ave escrevedor, ave!

terça-feira, 18 de maio de 2010

Sentir o sentimento sentido...

Até quando sentir é uma coisa boa? Até quando deixar de sentir também o é? Viver, é aprender a sentir um bom sentimento ou deixar de vivê-lo? O que é o amor? (aí já é demais) Posso ter desejos, posso me deixar conhecer através deles? Meus sentimentos estão muito custosos, muito pesarosos. Às vezes, chegam a doer. Tento deixar de ser um poço de sentimentos e desejos, mas sou traído por mim mesmo aos montes. Pago bois pra fugir de mim mesmo, mas cara! Como sou forte! Me segurar, me manter afastado de mim de minha virilidade, dos meus pecados... por sorte me ocupo por várias vezes de coisas como estudar, ler, escrever, tocar, conversar, mas quando essas coisas não estão presentes....ai, ai.

Duvido de mim a todo instante, mas acredito bastante em mim mesmo? Prolixo? (hein, Lanna?!) Pra que insisto em lutar contra mim, se comigo do meu lado sou imbatível? O pior é que sou imbatível nos dois sentidos, tanto para o que quero, quanto para o que não quero. Vou até o fim do poço, ou até o topo da escada. Não penso pra fazer, não me prendo pra falar, não me seguro pra agir. Vou e sou... eu e sem ninguém... talvez alguém, mas não sei bem quem...

Alguém como eu, que saiba, ou entenda, o sentido de se sentir, talvez alguém queira compartilhar comigo sua experiência. Não? Sim? O que te faz diferente de mim? Por que acha que também não quer e não deseja? O que te faz pensar que pelo fato de não fazer, não tenha pensado mais do que devia? Pensar é um crime? Repensar também o é? Voto pelo não. Mas sim também é bacana. Quais são as normas de conduta que eu devo seguir? Pergunto por perguntar, não sigo quase nenhuma delas. Concordem comigo; sou educado demais, sigo regras demais, me abstenho demais de muitas coisas lícitas e ilícitas, certo? Então não me condenem por sentir, por ter meus próprios vícios e fraquezas. Sou um “sentidor”, um escravo de meus próprios sentimentos. E confesso... tenho prazer em sentir. Quero ter o vento da vida a me soprar a face por todos os instantes.

Me enrasco, me acabo, mas me divirto. Muito! Acabo por me acostumar até com os sentimentos ruins, meus pensamentos maquiavélicos. A solidão nem me incomoda tanto. O amor também não. O vazio já é meu chegado (chego a senti-lo até quando estou acompanhado, cara foda!). O que é importante sentir dentro do coração? (se é que é lá mesmo que a gente guarda este monte de tranqueira) Quero me esbaldar, me afogar nas minhas sensibilidades. Não dou corda aos outros, não estou me fartando o suficiente. Não acho que eu vá me afogar em minhas próprias emoções. E se por ventura vier a fazê-lo, que me deixem ir (como se eu já não tivesse me afogado, diria estuprado, pelas minhas vivências emocionais). Se vou (novamente), é por que o quis, e se por um acaso eu não o tenha querido, já era. Não me importo (putz! Quantas são as coisas que não me incomodam mais, hein?).

Ah, e se um dia, muito distante, num futuro, lerem isto e fizerem alguma teoria sobre a minha vida ou meus escritos, não levem em consideração (né, Haidée?). O que eu sinto é só meu, e toda essa confusão em me expressar é resultado apenas da minha loucura interior. Não cabe a um outrem externo saber mais sobre mim do que eu mesmo. Meus sentimentos, meus, só meus... (ô viciado, sô)

domingo, 16 de maio de 2010

O Homem

Ser um homem, adulto é ou não uma coisa difícil? O tempo vai passando e tudo o que eu vi ou vivi vai se indo e não vejo mais este tempo. Também não o percebo, na verdade não o aceito em minha vida. Poucas coisas mudaram em minha vida desde a adolescência. O tempo passou, sim, mas porque não o vejo como meu? Os dias são estranhos e as coisas não mudaram como deveriam. Não sou um adulto, nem tão pouco uma criança, mas o que eu sou? Não consigo compreender o que eu devo ser. O mundo não me disse o que devo fazer, não, não diz... as responsabilidades crescem, aumentam, mas e daí? Tenho que me tornar um velho ranzinza? Onde devo amadurecer? O que é ser um homem? Devo parar minhas brincadeiras, diminuir minhas fantasias, emudecer a minha alegria? O que é ser responsável, adulto, um homem? Se ser homem é ser isso, matar dentro de mim o que eu tenho de melhor e de pior, não sei se o quero ser. Às vezes não me sinto preparado pra ser um cara diferente do que sou, o que vejo é que de tanto tentar ser o que eu não sou, vou me tornando velho e idiota. Antes sentia alegria nas bobagens que cometia, ser relapso com coisas muito sérias, hoje fico me castigando por ter sido um tolo, por amar coisas que ninguém ama, por viver alegrias passageiras de um modo satisfatório. O que é ser o que eu não sou? Estou sendo isso! É fato. Não gosto de ser assim. Quero deixar os problemas de lado e apenas viver, como quando eu tinha dezoito, dezenove anos. Pode parecer idiotice, mas eu não quero envelhecer, mesmo já tendo mais de trinta anos, e que foda-se isso também, eu tenho minha mente jovem e fresca dentro da minha cabeça. O que me faz deixar de ser jovem é a preocupação de não o ser mais. Mas eu sou. Caio em contradição comigo mesmo. Isso me irrita, ou menos me irritava, mas não mais. Meus sentimentos é que me impulsionaram a viver até aqui, pois serão eles que me levarão mais adiante, mais além, além até do que eu queria viver. Meus sentimentos me movem a escrever, escrevo o que eu vivo, o que eu sinto, o que eu penso. Assim será, por mais um dia, por mais uma noite, por mais uma alegria. Não vou deixar que eu acabe comigo, ou que outros me digam o que eu devo ser. Aposto em mim e na minha capacidade de ser eu mesmo. Gosto de viver como o garoto que sempre fui e não corresponder cronologicamente ao que sou estava me perturbando. Não dou mais vazão as minhas preocupações com relação à minha idade e nem com o que querem que eu aparente ser. Eu sou eu, nada mais. O homem dentro de mim é um ser educado (obrigado mãe), apaixonante e mulherengo (obrigado pai, não há nada que eu goste mais do que o sexo oposto), jovem e extrovertido (obrigado a mim mesmo) e nada me abala a não ser eu mesmo. Pois isso não mais irá acontecer. Tenho sim muitas responsabilidades e a única que me importa a partir de agora é a responsabilidade que tenho comigo mesmo de me fazer feliz. Não sou o que eu não quero ser, se me prejudico ou se me magoou é porque quero que assim o seja. A mim, não a você ou a vocês. A mim! Sou mais homem do que querem que eu seja, mas não mato minhas alegrias e minhas diversões para me enquadrar nos estereótipos sociais. Se incomodo, é com prazer que eu faço. Se te encanto é porque quero que assim o seja. Se te irrito, foda-se. Não dependo da aprovação de ninguém pra ser o que sou. E também não me importo mais em ser aceito ou amado por todos. Minha produção é a minha fonte de energia. Criar ,rejuvenesce a minha alma, renova o meu espírito. Vivo e viverei como o mais belo orgasmo. Dou a mim a vontade e a satisfação de não mais o ser. Sou o que não me importo de ser e não serei o que, um dia, queria ter sido. Homem, garoto, rapaz? Tanto faz... sou somente eu, cheio de alegria, vivacidade, tesão, humor e criatividade. Pedro, prazer...

segunda-feira, 26 de abril de 2010

A arte de se ler

Se escrever é uma arte, ler também o é. Quando estou lendo, imagino cada uma das linhas do livro em questão sendo uma espécie de estrada, uma rodovia, uma alameda até um beco, quem sabe!? O que importa naquele momento é que eu prossiga adiante e encontre o final de minha jornada, seja ela uma grande jornada ou uma simples viagem.

Penso por ambos os planos de raciocínio que imagino existir em uma leitura; por um lado tenho todas as informações e conhecimentos que aquele determinado livro me trás ou mostra, posso viver ali todo um novo mundo de aventuras e estórias que se transformarão em sabedoria; por um outro lado, tenho o meu desafio físico que tornar aquela obra um caminho percorrido e vivido.

Atravessando as linhas com meus olhos percorrendo todas aquelas palavras que por um outro foram pensadas... pauso para recuperar meu fôlego, posso até mesmo fechá-lo por alguns dias, dependendo do grau de interesse, pode ser até por mais de um ano. Mas aí então volto, recobro meu caminho, trilhando meus olhos por entre as mesmas linhas que outrora havia abandonado, ou só mesmo descansado. Algumas vezes vejo que as distintas palavras se, apertam se esmagam, os espaços entre as linhas diminuem ou mesmo se afrouxam mas o destino é o mesmo: abro uma página e lá estão as palavras a me esperar, dizem-me algumas delas “vamos? Cansamos de ficar aqui por muitos anos sem que nos corressem os olhos. Pode por favor ter a gentileza de nos ler?” Convite tentador! Disparo minha visão por aqueles grafos desejando possuí-los por inteiro, quero por que quero transpô-los com minha leitura. Penso comigo mesmo quando estou lendo uma página; primeiro é começar, depois quando estou quase na metade desta, me sinto entusiasmado, do meio pra diante entro quase em êxtase por saber que dali só me resta o fim daquele período. Pronto. Volto meus olhos para a página seguinte e lá estão as novas, mas também antigas, letras me esperando para que eu as devore. Começo novamente meu desbravamento, mas agora com um novo acréscimo, ao final desta nova página tenho uma satisfação quase orgásmica, pois sei que ao terminá-la passarei esta folha e assim mais um passo foi dado para o fim daquela linda e empolgante viagem. Fico tão eufórico com uma leitura que o que mais penso enquanto leio é: “qual vou ler em seguida” Minha percepção de escritor também não me deixa quieto e logo penso: “quero mais páginas do que isso na minha obra. Que sejam muitas as obras. Que eu possa escrever mais livros do este autor”... e assim vou prosseguindo e os números? Ah, os números! Estes não me deixam esconder minha felicidade, pra começar com o número de páginas que possui o volume em minhas mãos; “quanto mais páginas melhor” (tenho uma estranha atração pela dificuldade). Daí, voltando à questão das folhas viradas, tenho uma fascinação por números múltiplos de dez (provavelmente pela massificação do nosso sistema decimal), gosto muito de parar minha leitura de dez em dez páginas, ou então “na página duzentos” ou “estou na trezentos e vinte” a assim por diante. Já perceberam que as páginas do lado direito têm o número impar e as do esquerdo são pares? (obvio, né?) Pois então, deixar a leitura sempre no comecinho da página da esquerda é outra questão de honra. Mas com uma ressalva, tenho que terminar o parágrafo anterior, isso é fato. Nada de deixar aquela frase no meio, solta, sem nexo. (sei que pareço maluco, mas vai lendo...) O negócio é arredondar na hora de parar. Só paro em páginas diferentes por dois motivos: circunstância (alguém me enchendo o saco ou alguma emergência) ou quando o capítulo termina em outra página que não naquela preferida. E isso vai me empolgando e vou ficando satisfeito comigo e melhor ainda que isso tudo é o fato de ver o bolo de páginas engrossando do lado esquerdo ao mesmo tempo em que o do lado direito vai murchando (aplique-se o extremo oposto em países que se lê da direita pra esquerda). A alegria que tenho de transpassar o meio de uma página não se compara com a satisfação de transpor o meio de um livro. É mágico! E não paramos por aí, vamos falar da melhor parte, quando por fim chegamos ao fim! (redundante, eu sei) Chegamos então às últimas páginas, lá estão elas, fininhas só me esperando percorrê-las. Comparo isto a um passeio por uma trilha que você sobe e desce montanha e faz curva para um lado e para o outro e passa um córrego e atravessa um rio e quando você dá por si, (aquela canseira danada, uma sede, uma fome) olha para adiante e lá está o ponto de chegada; sua casa ou o lugar onde deveria estar, você avista isso de longe e sente todas aquelas forças que estavam faltando voltarem pro lugar, não importa a sede ou a fome, pois você está ali, galgando seus últimos passos... vitória! Sim! É o fim daquele grande e maravilhoso desafio... e por fim mais uma coisa me veio à cabeça: melhor do que tudo isso junto é quando além de percorrer todas aquelas milhares de linhas, consigo fazê-las em pouco tempo. (Ah! Como é doce a competição de mim para comigo mesmo)

quarta-feira, 14 de abril de 2010

Entrevista (Parte I)

- Então, como está sua vida neste momento?
- Bom... eu resumiria com a palavra “caos”.
- Mas está assim...ãããã, tão frustrante?
- Boa palavra, melhor até do que a que eu usei. É isso que está acontecendo. Não há um só ser na Terra que não me deixe frustrado... não existe uma só situação que eu consiga ter controle. É triste, eu sei, mas é assim que me sinto... (pausa reflexiva) Mentira, eu também sinto uma enorme raiva dentro de mim...
(Pausa)
- Mas percebe que na maioria das vezes você pode estar criando esta situação para si?
(Entrevistado olhando pra cima em pensamentos longínquos)
- Ah! Pode ser... mas isto não exclui o fato de que tudo sempre está me sabotando as alegrias, que todos furam ou me arrancam as expectativas. Os amigos gostam da gente quando temos algo a oferecer, sei lá. Os meus não andam lá muito satisfeitos comigo...ou não. E olha que eu nem fico desabafando muito...na verdade eu nem digo mais nada. É! É isso... sempre estou na minha... gosto de ouvir os outros falando, de ajudá-los com as coisas que eles encaram como problemas.
- E você? Não tem problemas?
(Risada desdenhosa)
- Claro que não!
- Como assim?
- Como eu disse, não tenho.
- E o que você chama toda esta frustração?
(Entrevistado inclinando-se pra frente, olhando para os lados e preparando pra contar um segredo)
- Sabe o que é (sussurrando)... as coisas já são tão pesadas no meu dia a dia que se eu der um nome pra elas, vão acabar se tornando piores...
- Hum... sei... e você acha que tais coisas não devam ser resolvidas?
- Eu faço assim... (sussurrando ainda mais baixo) sabe quando a gente tem um sonho ruim e acorda com medo e assustado? Pois é, eu concentro bastante em me lembrar de que aquilo era só um sonho, daí eu fecho meus olhos e volto a dormir... pronto... afinal, nada disso nunca foi real mesmo.
(Os dois se ajeitando em seus lugares)
- Como assim? Quer dizer que você não tem problemas com nada, mesmo com as coisas que te irritam? Isso é só um... como disse mesmo... um sonho ruim. Nada existe pra você?
- É, isso aí.
(Deboche descarado do entrevistador)
- Há, então você afirma que nada do que vive é um problema, mesmo me dizendo que está cheio deles?
- Veja bem; não disse que estava cheio de nada, disse que nada existe, nem problemas e nem nada, só isso que...(interrompido bruscamente pelo entrevistador)
- Não concordo com o que... (interrupção por parte do entrevistado)
- Chega! Nada existe e pronto. Nem mesmo você, agora vê se sai da minha cabeça!
(Entrevistador evapora-se)...

Coincidências

Pra traduzir e transmutar todas as informações de um mundo onde nada se sabe e tudo se supõe, é preciso muito jogo de cintura, entender cada dica e cada sinal mandado a nós e decodificar este sinal em uma grande mensagem ou em uma ridícula coincidência. Tratar a vida de forma mística é interpretar tudo a sua volta como uma incrível meta a se cumprir. Cada coisa vista e acontecida é um grande passo para o seu próximo passo. Lembrem-se, não percam a sua atenção, tudo deve ser interpretado como um imenso karma que vem de repente e muda toda sua vida, indicando-lhes a direção a se seguir, o caminho a ser tomado. Mas você, ser incrédulo, que de tudo duvida e em nada confia, basta lembrar que tudo é por acaso e nada nesta vida passa de uma magnífica coincidência.

Mas então, coincidência ou não, o que deve ser levado em conta e o que não deve? Saber é uma dádiva de poucos, eu mesmo em minhas parcas experiências com o sobrenatural mundo das coincidências ou não, tive o prazer de desfrutar inúmeros fracassos e desilusões. Afinal, o que é real ou não? É pra ser ou não é? Como saber se foi ou se é um sinal alguma coisa que aconteceu ou acontece em nossas vidas? Duro mesmo é viver de esperanças e ilusões, mas não são apenas coincidências, não é mesmo? Gostamos de nos embrenhar em assuntos que não nos dizem respeito, gostamos de criar coisas ocultas à nossa volta, justificar cada alegria com uma coisa que nos foi dada. Seria verdade? Se for verdade, tudo o que eu tenho de bom ou de ruim me foi dado? Creio que não. Acredito que grande parte, pra não dizer a maioria, do que vivemos foi acreditada por nós mesmos. Situações que gostaríamos que estivessem acontecendo conosco e olha que incrível... não é mesmo que elas acontecem? Sou agraciado com tudo a minha volta ou... vejam só: encontro evidências que me mostram que certas coisas, por “coincidência” as que eu quero, foram planejadas subconscientemente por mim. O primeiro passo, foi dado por mim, a primeira frase, antes mesmo que eu a tivesse cogitado, já havia sido arquitetada em meus mais íntimos pensamentos.

Triste, não? Mas então tudo o que mais preso nesta vida não é meu de verdade? Tudo não passa de uma criação do meu desejo? Simples estas respostas, sim... e não! Você pode até achar que é mais uma “coincidência”, mas não é que é mesmo...

(Gostaria de enfatizar que por falta de inspiração, este texto encontra-se mal acabado, caso queiram, deixem suas impressões. Obrigado)

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

Agradecimento

Me prendo a pequenos detalhes da vida, minhas frustrações, minhas dívidas, o que queria ser e não sou, meus desejos não realizados, minhas preocupações. Por que sou assim? Tão mal agradecido? Nunca paro pra dizer: obrigado. Está aqui minha gratidão: obrigado por todos que amo, família, animais, amigos, plantas, amores, músicas, palavras e experiências. Obrigado por estar vivo e por presenciar esta vida e experimentá-la... sinto todas minhas alegrias e tristezas de uma só vez... obrigado por sentir... obrigado por sofrer e ainda poder sorrir... obrigado por deixar-me ser quem sou... eu, apenas eu...

Agradeço, por fim, por lembrar-me e permitir-me agradecer. Amo-lhe por tudo o que sou e por tudo que não serei, amo-lhe por me deixar viver e um dia morrer... obrigado, obrigado, obrigado...

sábado, 6 de fevereiro de 2010

Dígitos

Minha arte sempre foi expressa por minhas mãos, mais precisamente por meus dedos, estes no princípio, traçavam a lápis meus primeiros desenhos, meus primeiros esboços de minha imaginação sempre tão criativa. Meus heróis, minhas histórias em quadrinhos, minha adolescência chegando junto com desenhos que se aperfeiçoavam aos poucos e bem lentamente. A arte não me abandonou nem tão pouco deixou de existir, ela se transformou, meus desenhos agora eram notas que se propagavam ao ar. Já não usava mais tanto os lápis de escrever, agora tangia as cordas com uma palheta ou com os dedos, as pontas de meus dedos da mão esquerda dançavam pela escala do instrumento. A música era meu foco, meus desenhos, não fossem esporádicos rabiscos, teriam ficado pra trás. A caneta surgiu mais ou menos na mesma época em que tocava meus pesados power chords, de letras traçadas em um caderno surgiu uma gigantesca estória que se transformaria um dia em um mundo escomunal que agora em minha mente se torna cada vez mais complexo. As notas viajaram comigo por muitos anos, por muitos alunos, por muitas bandas, por muitas músicas, por muitas composições que exprimiam meus anseios, minhas alegrias e minhas tristezas. Quase uma década e meia depois vejo minha caneta desabafar furiosamente sobre o papel meus desejos mais intensos. Minhas palavras tomaram vida, tornaram-se algo novo, uma nova arte. Ainda sobre o domínio de meus dedos as teclas alfanuméricas dispunham meus segredos em um local público, meus textos eram encaminhados para um mundo digital real, onde outros como eu me leriam. Minha arte se modificou e se modifica através de minhas mãos, de meus pensamentos, dos meus sentimentos e expressam a força de minha alma e vivências de meu coração. Meus dedos são ferramentas que me mostram como eu sou, seja através de uma imagem, de sons ou até mesmo de palavras. Meus dedos contam tudo o que sabem de mim, alegro-me de tê-los aqui comigo, membros que demonstram o fundo de meu ser, que tornam-me transparente, translúcido como meu espírito.