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domingo, 23 de maio de 2010

Indiferenças

A indiferença e suas conseqüências... bravias e incômodas são as coisas que nos separam de tudo o que puro e sensato. Pra quê escolher caminhos simpáticos e alegres e se um mundo de agonias nos espera? Deixar livre o sentimento e apostar a sorte com o destino é muito mais bacana do que planejar atos, sentimentos e promulgar em nossas vidas um mundo de planos eximiamente bem traçados. Pra quê perder a cabeça e duvidar de nossas decisões se estruturar a vida é muito mais simples. (nada de ironia) (putz! Como sou irônico) Gosto de ter opções na vida, há quem pense que isso é ser volátil, e inconstante. Serei? Que eu seja, mas e daí? O que é a vida senão um abarrotamento de inconstâncias. Só me moldei a este princípio: ser inconstante como a vida é. Não me culpem, não me condenem, sou só mais um entre milhões. Agora, estou batalhando pra adquirir mais uma arma pra enfrentar a vida. Tenho de ser indiferente, como algumas pessoas me são, como algumas circunstâncias da vida se apresentam a mim. Não dá pra aceitar tudo na e da vida, mas se não é assim, a gente se decepciona se magoa. Em outro texto escrevi sobre manter a expectativa baixa ser o segredo da felicidade e fui condenado até pelo autor da frase (né, Gui). Até me chamaram de pessimista e dramático. Pois então o que é preciso fazer e ser? Mudei meus parâmetros de pensamento e hoje acho que ser indiferente seja uma máxima e que talvez, só talvez, assim possa desfrutar de um pouco de felicidade (que também é outra coisa muito subjetiva). Então estou desenvolvendo uma maneira (muito tosca e deturpada) de se viver “outside” dos sentimentos. Sei que não é nada original, nem tampouco um ensinamento místico, é só uma forma que uso (bem mal) pra mim mesmo. Aprender (porque ainda tento e quase nunca consigo) a ser indiferente será uma missão e não quer dizer também que eu vá agir assim o tempo todo. Mas claramente, pra seguir meus objetivos, terei que me anular, sentimentalmente falando, para os outros (externos a mim), o que não deixa de ser uma verdade já concreta, afinal só ouvir o que os outros têm a dizer não é bem ser uma troca entre amigos. “Bastei-me de mim mesmo” e agora me preocupo em alcançar um lugar onde, quem não me quis não mais me terá e quem irá me querer não será querido por mim. Deixo uma vida comum de “troca” a passo a barganhar pela minha atenção. Não muda o fato de quem me ouve continuar a ser ouvido por mim. Muda o fato de que não troco mais meus afazeres por prazeres. Quer falar comigo? Me procura! Se eu tiver um tempo eu te escuto, pois agora sou indiferente.

sábado, 22 de maio de 2010

O Obscuro, parte I.

Um:

Nada que o negro e o soturno não conheçam, mas e tu, ser vil? Conheces o pior de ti mesmo entre todo o mal que cultivaste? Sabes dar nome a teus crimes, a tuas maldades? Se o soubesse, não saberias qualificar o que pior estava por vir. Consideravas-te o mal em pessoa, a representação do ódio encarnada na terra, mas o Obscuro resolveu reivindicar seu lugar entre os mortais e para isso, mandou atrás de ti o mais fraco de seus três filhos. Não precisaria este estar presente para acabar contigo e com tudo aquilo que consideravas tu, sendo o mal. Sabia, a Escuridão, que tu não era páreo para sequer uma fração de toda sua ignomínia. Então, não ocupou-se, o Mal, de preocupar-se de ti. Tu já o tinhas incomodado por demais, só por teres tido a ousadia de tentar te revelar mais vil que ele próprio. Gabavas tu, de tua maldade, de tua crueldade e de todos os teus pecados, pecados estes que nenhum ser vivente jamais havia cometido. Orgulhavas de tuas conquistas, de tua reputação. Pobre e infeliz, estavas convencido de que nada lhe tocaria, que nada lhe perturbaria, estavas seguro de ti mesmo, julgavas-te onipotente. Ah! O escárnio de teu inimigo, o maior de todos eles, ecoou por todo o ermo dos mundos. Não estarias só dentro em breve, serias punido por tudo que fizeste, por tudo que ousas-te. Atenta-te, pois o filho do mal, está atrás de ti. Cada passo que deres, cada golfada de ar, estarás a uma fração de teu fim. E não serás gratificado apenas com a morte e sim com a eternidade de sofrimento e angústia.

Dois:

Ouviu as palavras atentamente e antes de esquartejá-lo fez questão de torturá-lo por mais três dias. E cada dia de sofrimento deste, era como uma nova sentença de morte para si. Era sempre assim, não deixava sua vítima descansar, nem tampouco dormir, infligia-lhe dores horrorosas e quando achava que este ia ceder pela fraqueza, eis que revigorava-se e tornava a conjurar ameaças naquela voz sobrenatural. Esperava o fim do discurso, que era sempre o mesmo, ouvindo tudo com muita atenção, em seguida retomava sua crueldade como se nada tivesse ouvido. Adorava aquela sensação, mais do que qualquer coisa. Mais do que comer, dormir, beber ou até mesmo gozar. Nada era mais prazeroso do que matar. Sentia-se vivo e confiante. Era o que era, e apenas isso. Era jovem, não sabia ao certo a sua idade, os poucos que o viam não lhe davam mais do que vinte e poucos anos. Era uma máquina de matar, não tinha estratégias prévias de absolutamente nada, achava-se o bandido mais sortudo do mundo. Fazia o que fazia sem esforço, nem dificuldade alguma. Não escolhia as vítimas, não tinha padrões, nem ninguém tinham sido uma ameaça a sua carreira. Não sabia lutar, não sabia escrever, não sabia ler, não sabia o que era o amor. Não tinha amigos, não tinha família, não tinha casa, não tinha absolutamente apego a coisa nenhuma. Vivia pra ser o que era, apenas isso. Sua inteligência era fantástica, escomunal, não para um uso comum, mas para observar e entender absolutamente tudo o que necessitava em seu ataque. Sempre era assim, quando cometia suas loucuras, nada o impedia de triunfar. Suas capacidades excediam qualquer expectativa. Não tinha um nome, não tinha uma rotina, era o que era, e apenas isso. Guardava uma coisa consigo, um número, que aumentava sempre, a cada vítima eliminada, somava mais um a este e assim o ia aumentando. Nunca entendia como fazia isso, só o fazia. Não se cansava, não se entediava. Era o que era, e apenas isso...

Três:

Passeava por ali pela primeira vez, sentir a incomodava mais que tudo. Aquelas coisas que enxergava pela primeira vez eram conhecidas como mãos. E o que a faziam ver eram conhecidos por olhos. Como era difícil se adaptar a tudo aquilo, pensar era uma merda. Seu cérebro ia juntando informações e designando-lhe nomes. Coisa mais sem graça. Estava acostumada a ser e não refletir sobre o que era ser. – “Malditooo!” – berrou com sua voz esganiçada e aguda. Uma coisa não mudou. Sabia como odiar. Isso ela conhecia, aquilo era ridículo perto de seu estado natural. Sentimentos eram coisas de mortais, aqueles fracos que fingiam viver. Sentiu falta de ser o que era. – “Merda!” – gritou, desta vez porque odiava ouvir o seu raciocínio, era como se alguém lhe narrasse uma estória. Berrou novamente, pensar lhe incomodava muito. Não queria ser humana, muito menos uma fêmea. Sentia fraqueza naquele corpo, sentiu falta do seu poder. Gritou demoradamente por quanto tempo pode em um só fôlego, estava farta de sentir os sentimentos. Só havia uma solução: acabar com o desgraçado que viera buscar o mais rápido possível. Assim, seu pai a libertaria daquela maldição que era ser mortal. Faria sua alma arder antes de levá-lo a seu pai, só pra vingar tudo o que estava passando. Mais um grito, sua cabeça não parava de falar. Correu, o mais rápido que pode. Ia pegá-lo agora, onde quer que este estivesse...

quinta-feira, 20 de maio de 2010

As coisas que eu odeio, parte I

São tantas as coisas que eu quero falar e comentar, que não há um espaço reservado em minha tão conturbada mente responsável pela a organização do que precisa ser dito. Acabei de chegar em casa e dentro do ônibus vim pensando (e olha que isso ocupa todo meu raciocínio) o que ia escrever quando chegasse, queria que desta vez fosse algo planejado e não cuspido como tem sido. Então pensei, pensei e por fim concluí: quero falar tudo o que eu penso e o que eu acho que deva ser dito (é a minha opinião, lembrem-se disso). Nesse pensamento todo fiquei mastigando as coisas que eu gosto e as coisas que eu não gosto. Gosto de escrever, e pensei: posso começar falando disso. Mas daí percebi que a lista de coisas que eu não gosto é imensamente maior do que a de coisas que eu gosto. Fechei comigo mesmo. Desci do ônibus desesperado e cheguei ligando o computador. Cumprimentei meus cães e fui abrindo o Word. Taquei o título acima e fui logo acrescentando “parte I” porque são tantas as coisas que eu odeio que em um único texto não caberiam. Só agora que estou escrevendo, neste exato segundo, já marco um ponto em: odeio o escarcéu que meus cães fazem quando preciso me concentrar. Mentira! Odeio o escarcéu que eles fazem a qualquer hora e em qualquer circunstância. Sério, tirando o fato de que eles são os seres mais preciosos que me dedico, não suporto a latição destes. Sempre me perguntei: Se a gente sabe falar e gritar e sussurrar, por que é que eles não podem aprender a latir em distintos níveis de decibéis? Podiam assim fazer o seus aus aus aus, em tom de conversa: “au au au au au (ta ouvindo o povo passando lá fora?) au au au au au (estou, o que a gente faz?) au au au au au (agora nada, papai ta em casa escrevendo) au (legal)” Já até imaginei, com certeza eu os amaria ainda mais.

Ser interrompido ao produzir (fazer o que me der na telha, isso inclui fazer nada e porra nenhuma). Só agora digitando essas linhas o Rafael (o Souza. Ta que ta aparecendo por aqui, hein Tigrão?!) (putz, tigrão ficou gay) já me ligou falando que não haverá aula amanhã cedo pois a faculdade será dedetizada (acrescentar “faculdade sendo dedetizada” na lista de coisas que eu odeio). Beleza, poupou-me o trabalho de ir lá em vão. Isso passa. Daí, vem meu gato (que estava dando um rolé lá fora) e começa a miar pedindo pra entrar. Paro de escrever de novo pra ele entrar...mas falando assim, fica parecendo que eu não os amo. E outra, isso é muito pouco perto do tanto de outras coisas que eu odeio (logo chego nas novelas, a Globo, os emos, as lésbicas e etc.) (MENTIRA!!! As lésbicas eu adoro)

Acordar cedo (já ouço a ovação dos preguiçosos de plantão). Acordar cedo é tão desgraçado que vou deixa pra escrever isso num dia que eu acordar cedo pra poder escrever inspirado.

Dormir tarde! Parece idiotice um cara que não gosta de levantar cedo odiar dormir tarde. Mas pensem comigo, eu sempre (quase) tenho que levantar cedo (parece até uma maldição) logo; dormir cedo é a continuação do meu inferno. O pior é que eu sempre sobro nessa. São raros os dias que eu consigo pegar no sono antes da uma da manha (varia entre uma e duas, mas se estende às vezes até as cinco ou seis).

Odeio “você”, Ser incógnito, que preferiu ser anônimo neste texto, mas que me disse: “o bom escritor deixa características de quem se refere sem identificá-lo”. (Aqui vão suas características, fresco: mais magro do que uma moça e mais fumante do que o “Canceroso” [ta, ta... quase tão fumante quanto este]) Isso tudo só porque ele acabou de me interromper por mais de dez minutos, agora mesmo pelo telefone (mentira, você até que é bacana, Dalton. Oh, ops... foi mal, quis dizer, anônimo).

Isso me faz acrescentar uma coisa: odeio o telefone, seja ele fixo, móvel, por satélite, por sinal de fumaça o que for. Sei que preciso dessa merda (vale neste caso citar uma pessoa loira de olhos verdes, certo?!), mas se não precisasse (eu sei que eu não preciso) não o teria, nenhum deles. Não existe forma mais eficiente do que esta pra poder azucrinar a vida de uma pessoa. (nota mental: planejar minha ausência na sociedade com mais urgência).

Odeio quando a página do Word termina e eu ainda não acabei de dizer o que eu queria (neste caso é porque eu não gosto de me alongar por mais de uma página para que meus textos não se tornem chatos de serem lidos) e assim já estou invadindo a segunda página. Estou ficando tão neurótico com os meus ódios que acabo me irritando. Pronto ta aí mais uma coisa que me enfurece: eu (me odeio)...

Continua...

quarta-feira, 19 de maio de 2010

O Escrevedor

Quando vou escrever algo, penso, dependendo da ocasião, de duas maneiras básicas; uma é quando eu planejo exatamente o que vou escrever, como quando estou escrevendo o meu livro, outra é quando eu começo a digitar, ou mesmo rabiscar algumas linhas, desentulhando o que há dentro de mim. Este texto está sendo feito da segunda forma. Pensei basicamente no que escreveria e a única coisa que não me sai da cabeça é: tenho que escrever pra caralho! O importante, é que, eu não estou fazendo isso por obrigação, mas por inspiração. Minha mente está atolada de idéias e de coisas a serem “cuspidas” pro papel. Estou me sentindo sufocado pelas minhas vontades (ainda bem) e não posso parar pra pensar muito, apenas escrever. Luto ainda com a maldita preguiça e também com a merda da desorganização, mas de vez em quando eu ganho. Como diz o Rafael (Souza), o importante é não desistir. Concordo e ponho o meu na reta... sempre. Aqui está um resultado. Um deles, um dentre milhões. Legal também é que, quanto mais eu escrevo, mas sinto falta de tocar, de desenhar. Ou seja, a vontade de criar vem para todos os lados.

Mas é bom lembrar que no meu antigo texto “Necessidade e decepção” eu abordei (desabafei) a “não colaboração” dos meus amigos “escrevedores”, e disse também que eu não ia desistir de fazer o que eu queria nem que fosse apenas comigo mesmo. Então... está sendo assim, ando contando comigo mesmo. Produção após produção estou sempre comigo mesmo, e como disse meu inestimado professor, Rochinha, ainda esta semana, “melhor companhia impossível”. Vou vivendo assim, o foda é conseguir produzir tudo o que almejo. Não desisti de meus planos (gigantescos) nem parei de tentar arrumar ajuda (tolo), mas eu não parei também de escrever e isso é o que está sendo melhor em mim. O que eu preciso além de mim mesmo? Humm... deixe me ver....ããã...EU, só eu!

Convicto de meus ideais, suprido da necessidade alheia (ou quase completamente), vou caminhando (digitando ou “cursivando”) minhas mais belas inspirações. Toscas ou mal acabadas também, mas boas idéias que vem e que vão, e sendo tantas, pensar que tenho que por pra fora tudo o que eu crio, tenho que ser rápido... mais rápido do que o pensamento (o que é mais rápido do que isso?) pois o que eu não transmuto em palavras, pode ser que venha a se perder no limbo eterno da minha mente sem controle e direção (organização também).

O que sou? Um escritor? Lembrei-me de uma vez, há muitos anos atrás, quando fui me tratar de uma LER na mão esquerda (não era por masturbação, senão seria a direita), numa consulta com um ortopedista. O dito cujo, ao perguntar-me sobre o problema da mão, argüiu-me: “qual a sua profissão?” respondi: “músico” e retrucou: “você tem a carteirinha da ordem dos músicos?” eu disse: “não, não preciso dela pra dar aulas” o cara: “então você não é músico”. Bom até eu explicar pro imbecil que se eu me sustentava com música eu era um músico (até porque, qualquer um que cante “atirei o pau no gato” tira essa merda de carteira da ordem), gastou-me quase que a consulta inteira. Então, pra não ser massacrado por um outro “ortopedista” (neste caso, especializado em profissões e os documentos necessários para se exercer um cargo), vou logo me defendendo que não posso me considerar um escritor (afinal, não vivo disso... ainda), então o que eu sou? “Blogueiro”? (o nominho fodido) Até porque eu também escrevo além deste blog. Por falta de um nome adequado, escolhi um pra mim: sou um escrevedor! Ave escrevedor, ave!

terça-feira, 18 de maio de 2010

Sentir o sentimento sentido...

Até quando sentir é uma coisa boa? Até quando deixar de sentir também o é? Viver, é aprender a sentir um bom sentimento ou deixar de vivê-lo? O que é o amor? (aí já é demais) Posso ter desejos, posso me deixar conhecer através deles? Meus sentimentos estão muito custosos, muito pesarosos. Às vezes, chegam a doer. Tento deixar de ser um poço de sentimentos e desejos, mas sou traído por mim mesmo aos montes. Pago bois pra fugir de mim mesmo, mas cara! Como sou forte! Me segurar, me manter afastado de mim de minha virilidade, dos meus pecados... por sorte me ocupo por várias vezes de coisas como estudar, ler, escrever, tocar, conversar, mas quando essas coisas não estão presentes....ai, ai.

Duvido de mim a todo instante, mas acredito bastante em mim mesmo? Prolixo? (hein, Lanna?!) Pra que insisto em lutar contra mim, se comigo do meu lado sou imbatível? O pior é que sou imbatível nos dois sentidos, tanto para o que quero, quanto para o que não quero. Vou até o fim do poço, ou até o topo da escada. Não penso pra fazer, não me prendo pra falar, não me seguro pra agir. Vou e sou... eu e sem ninguém... talvez alguém, mas não sei bem quem...

Alguém como eu, que saiba, ou entenda, o sentido de se sentir, talvez alguém queira compartilhar comigo sua experiência. Não? Sim? O que te faz diferente de mim? Por que acha que também não quer e não deseja? O que te faz pensar que pelo fato de não fazer, não tenha pensado mais do que devia? Pensar é um crime? Repensar também o é? Voto pelo não. Mas sim também é bacana. Quais são as normas de conduta que eu devo seguir? Pergunto por perguntar, não sigo quase nenhuma delas. Concordem comigo; sou educado demais, sigo regras demais, me abstenho demais de muitas coisas lícitas e ilícitas, certo? Então não me condenem por sentir, por ter meus próprios vícios e fraquezas. Sou um “sentidor”, um escravo de meus próprios sentimentos. E confesso... tenho prazer em sentir. Quero ter o vento da vida a me soprar a face por todos os instantes.

Me enrasco, me acabo, mas me divirto. Muito! Acabo por me acostumar até com os sentimentos ruins, meus pensamentos maquiavélicos. A solidão nem me incomoda tanto. O amor também não. O vazio já é meu chegado (chego a senti-lo até quando estou acompanhado, cara foda!). O que é importante sentir dentro do coração? (se é que é lá mesmo que a gente guarda este monte de tranqueira) Quero me esbaldar, me afogar nas minhas sensibilidades. Não dou corda aos outros, não estou me fartando o suficiente. Não acho que eu vá me afogar em minhas próprias emoções. E se por ventura vier a fazê-lo, que me deixem ir (como se eu já não tivesse me afogado, diria estuprado, pelas minhas vivências emocionais). Se vou (novamente), é por que o quis, e se por um acaso eu não o tenha querido, já era. Não me importo (putz! Quantas são as coisas que não me incomodam mais, hein?).

Ah, e se um dia, muito distante, num futuro, lerem isto e fizerem alguma teoria sobre a minha vida ou meus escritos, não levem em consideração (né, Haidée?). O que eu sinto é só meu, e toda essa confusão em me expressar é resultado apenas da minha loucura interior. Não cabe a um outrem externo saber mais sobre mim do que eu mesmo. Meus sentimentos, meus, só meus... (ô viciado, sô)

domingo, 16 de maio de 2010

O Homem

Ser um homem, adulto é ou não uma coisa difícil? O tempo vai passando e tudo o que eu vi ou vivi vai se indo e não vejo mais este tempo. Também não o percebo, na verdade não o aceito em minha vida. Poucas coisas mudaram em minha vida desde a adolescência. O tempo passou, sim, mas porque não o vejo como meu? Os dias são estranhos e as coisas não mudaram como deveriam. Não sou um adulto, nem tão pouco uma criança, mas o que eu sou? Não consigo compreender o que eu devo ser. O mundo não me disse o que devo fazer, não, não diz... as responsabilidades crescem, aumentam, mas e daí? Tenho que me tornar um velho ranzinza? Onde devo amadurecer? O que é ser um homem? Devo parar minhas brincadeiras, diminuir minhas fantasias, emudecer a minha alegria? O que é ser responsável, adulto, um homem? Se ser homem é ser isso, matar dentro de mim o que eu tenho de melhor e de pior, não sei se o quero ser. Às vezes não me sinto preparado pra ser um cara diferente do que sou, o que vejo é que de tanto tentar ser o que eu não sou, vou me tornando velho e idiota. Antes sentia alegria nas bobagens que cometia, ser relapso com coisas muito sérias, hoje fico me castigando por ter sido um tolo, por amar coisas que ninguém ama, por viver alegrias passageiras de um modo satisfatório. O que é ser o que eu não sou? Estou sendo isso! É fato. Não gosto de ser assim. Quero deixar os problemas de lado e apenas viver, como quando eu tinha dezoito, dezenove anos. Pode parecer idiotice, mas eu não quero envelhecer, mesmo já tendo mais de trinta anos, e que foda-se isso também, eu tenho minha mente jovem e fresca dentro da minha cabeça. O que me faz deixar de ser jovem é a preocupação de não o ser mais. Mas eu sou. Caio em contradição comigo mesmo. Isso me irrita, ou menos me irritava, mas não mais. Meus sentimentos é que me impulsionaram a viver até aqui, pois serão eles que me levarão mais adiante, mais além, além até do que eu queria viver. Meus sentimentos me movem a escrever, escrevo o que eu vivo, o que eu sinto, o que eu penso. Assim será, por mais um dia, por mais uma noite, por mais uma alegria. Não vou deixar que eu acabe comigo, ou que outros me digam o que eu devo ser. Aposto em mim e na minha capacidade de ser eu mesmo. Gosto de viver como o garoto que sempre fui e não corresponder cronologicamente ao que sou estava me perturbando. Não dou mais vazão as minhas preocupações com relação à minha idade e nem com o que querem que eu aparente ser. Eu sou eu, nada mais. O homem dentro de mim é um ser educado (obrigado mãe), apaixonante e mulherengo (obrigado pai, não há nada que eu goste mais do que o sexo oposto), jovem e extrovertido (obrigado a mim mesmo) e nada me abala a não ser eu mesmo. Pois isso não mais irá acontecer. Tenho sim muitas responsabilidades e a única que me importa a partir de agora é a responsabilidade que tenho comigo mesmo de me fazer feliz. Não sou o que eu não quero ser, se me prejudico ou se me magoou é porque quero que assim o seja. A mim, não a você ou a vocês. A mim! Sou mais homem do que querem que eu seja, mas não mato minhas alegrias e minhas diversões para me enquadrar nos estereótipos sociais. Se incomodo, é com prazer que eu faço. Se te encanto é porque quero que assim o seja. Se te irrito, foda-se. Não dependo da aprovação de ninguém pra ser o que sou. E também não me importo mais em ser aceito ou amado por todos. Minha produção é a minha fonte de energia. Criar ,rejuvenesce a minha alma, renova o meu espírito. Vivo e viverei como o mais belo orgasmo. Dou a mim a vontade e a satisfação de não mais o ser. Sou o que não me importo de ser e não serei o que, um dia, queria ter sido. Homem, garoto, rapaz? Tanto faz... sou somente eu, cheio de alegria, vivacidade, tesão, humor e criatividade. Pedro, prazer...

segunda-feira, 26 de abril de 2010

A arte de se ler

Se escrever é uma arte, ler também o é. Quando estou lendo, imagino cada uma das linhas do livro em questão sendo uma espécie de estrada, uma rodovia, uma alameda até um beco, quem sabe!? O que importa naquele momento é que eu prossiga adiante e encontre o final de minha jornada, seja ela uma grande jornada ou uma simples viagem.

Penso por ambos os planos de raciocínio que imagino existir em uma leitura; por um lado tenho todas as informações e conhecimentos que aquele determinado livro me trás ou mostra, posso viver ali todo um novo mundo de aventuras e estórias que se transformarão em sabedoria; por um outro lado, tenho o meu desafio físico que tornar aquela obra um caminho percorrido e vivido.

Atravessando as linhas com meus olhos percorrendo todas aquelas palavras que por um outro foram pensadas... pauso para recuperar meu fôlego, posso até mesmo fechá-lo por alguns dias, dependendo do grau de interesse, pode ser até por mais de um ano. Mas aí então volto, recobro meu caminho, trilhando meus olhos por entre as mesmas linhas que outrora havia abandonado, ou só mesmo descansado. Algumas vezes vejo que as distintas palavras se, apertam se esmagam, os espaços entre as linhas diminuem ou mesmo se afrouxam mas o destino é o mesmo: abro uma página e lá estão as palavras a me esperar, dizem-me algumas delas “vamos? Cansamos de ficar aqui por muitos anos sem que nos corressem os olhos. Pode por favor ter a gentileza de nos ler?” Convite tentador! Disparo minha visão por aqueles grafos desejando possuí-los por inteiro, quero por que quero transpô-los com minha leitura. Penso comigo mesmo quando estou lendo uma página; primeiro é começar, depois quando estou quase na metade desta, me sinto entusiasmado, do meio pra diante entro quase em êxtase por saber que dali só me resta o fim daquele período. Pronto. Volto meus olhos para a página seguinte e lá estão as novas, mas também antigas, letras me esperando para que eu as devore. Começo novamente meu desbravamento, mas agora com um novo acréscimo, ao final desta nova página tenho uma satisfação quase orgásmica, pois sei que ao terminá-la passarei esta folha e assim mais um passo foi dado para o fim daquela linda e empolgante viagem. Fico tão eufórico com uma leitura que o que mais penso enquanto leio é: “qual vou ler em seguida” Minha percepção de escritor também não me deixa quieto e logo penso: “quero mais páginas do que isso na minha obra. Que sejam muitas as obras. Que eu possa escrever mais livros do este autor”... e assim vou prosseguindo e os números? Ah, os números! Estes não me deixam esconder minha felicidade, pra começar com o número de páginas que possui o volume em minhas mãos; “quanto mais páginas melhor” (tenho uma estranha atração pela dificuldade). Daí, voltando à questão das folhas viradas, tenho uma fascinação por números múltiplos de dez (provavelmente pela massificação do nosso sistema decimal), gosto muito de parar minha leitura de dez em dez páginas, ou então “na página duzentos” ou “estou na trezentos e vinte” a assim por diante. Já perceberam que as páginas do lado direito têm o número impar e as do esquerdo são pares? (obvio, né?) Pois então, deixar a leitura sempre no comecinho da página da esquerda é outra questão de honra. Mas com uma ressalva, tenho que terminar o parágrafo anterior, isso é fato. Nada de deixar aquela frase no meio, solta, sem nexo. (sei que pareço maluco, mas vai lendo...) O negócio é arredondar na hora de parar. Só paro em páginas diferentes por dois motivos: circunstância (alguém me enchendo o saco ou alguma emergência) ou quando o capítulo termina em outra página que não naquela preferida. E isso vai me empolgando e vou ficando satisfeito comigo e melhor ainda que isso tudo é o fato de ver o bolo de páginas engrossando do lado esquerdo ao mesmo tempo em que o do lado direito vai murchando (aplique-se o extremo oposto em países que se lê da direita pra esquerda). A alegria que tenho de transpassar o meio de uma página não se compara com a satisfação de transpor o meio de um livro. É mágico! E não paramos por aí, vamos falar da melhor parte, quando por fim chegamos ao fim! (redundante, eu sei) Chegamos então às últimas páginas, lá estão elas, fininhas só me esperando percorrê-las. Comparo isto a um passeio por uma trilha que você sobe e desce montanha e faz curva para um lado e para o outro e passa um córrego e atravessa um rio e quando você dá por si, (aquela canseira danada, uma sede, uma fome) olha para adiante e lá está o ponto de chegada; sua casa ou o lugar onde deveria estar, você avista isso de longe e sente todas aquelas forças que estavam faltando voltarem pro lugar, não importa a sede ou a fome, pois você está ali, galgando seus últimos passos... vitória! Sim! É o fim daquele grande e maravilhoso desafio... e por fim mais uma coisa me veio à cabeça: melhor do que tudo isso junto é quando além de percorrer todas aquelas milhares de linhas, consigo fazê-las em pouco tempo. (Ah! Como é doce a competição de mim para comigo mesmo)

quarta-feira, 14 de abril de 2010

Entrevista (Parte I)

- Então, como está sua vida neste momento?
- Bom... eu resumiria com a palavra “caos”.
- Mas está assim...ãããã, tão frustrante?
- Boa palavra, melhor até do que a que eu usei. É isso que está acontecendo. Não há um só ser na Terra que não me deixe frustrado... não existe uma só situação que eu consiga ter controle. É triste, eu sei, mas é assim que me sinto... (pausa reflexiva) Mentira, eu também sinto uma enorme raiva dentro de mim...
(Pausa)
- Mas percebe que na maioria das vezes você pode estar criando esta situação para si?
(Entrevistado olhando pra cima em pensamentos longínquos)
- Ah! Pode ser... mas isto não exclui o fato de que tudo sempre está me sabotando as alegrias, que todos furam ou me arrancam as expectativas. Os amigos gostam da gente quando temos algo a oferecer, sei lá. Os meus não andam lá muito satisfeitos comigo...ou não. E olha que eu nem fico desabafando muito...na verdade eu nem digo mais nada. É! É isso... sempre estou na minha... gosto de ouvir os outros falando, de ajudá-los com as coisas que eles encaram como problemas.
- E você? Não tem problemas?
(Risada desdenhosa)
- Claro que não!
- Como assim?
- Como eu disse, não tenho.
- E o que você chama toda esta frustração?
(Entrevistado inclinando-se pra frente, olhando para os lados e preparando pra contar um segredo)
- Sabe o que é (sussurrando)... as coisas já são tão pesadas no meu dia a dia que se eu der um nome pra elas, vão acabar se tornando piores...
- Hum... sei... e você acha que tais coisas não devam ser resolvidas?
- Eu faço assim... (sussurrando ainda mais baixo) sabe quando a gente tem um sonho ruim e acorda com medo e assustado? Pois é, eu concentro bastante em me lembrar de que aquilo era só um sonho, daí eu fecho meus olhos e volto a dormir... pronto... afinal, nada disso nunca foi real mesmo.
(Os dois se ajeitando em seus lugares)
- Como assim? Quer dizer que você não tem problemas com nada, mesmo com as coisas que te irritam? Isso é só um... como disse mesmo... um sonho ruim. Nada existe pra você?
- É, isso aí.
(Deboche descarado do entrevistador)
- Há, então você afirma que nada do que vive é um problema, mesmo me dizendo que está cheio deles?
- Veja bem; não disse que estava cheio de nada, disse que nada existe, nem problemas e nem nada, só isso que...(interrompido bruscamente pelo entrevistador)
- Não concordo com o que... (interrupção por parte do entrevistado)
- Chega! Nada existe e pronto. Nem mesmo você, agora vê se sai da minha cabeça!
(Entrevistador evapora-se)...

Coincidências

Pra traduzir e transmutar todas as informações de um mundo onde nada se sabe e tudo se supõe, é preciso muito jogo de cintura, entender cada dica e cada sinal mandado a nós e decodificar este sinal em uma grande mensagem ou em uma ridícula coincidência. Tratar a vida de forma mística é interpretar tudo a sua volta como uma incrível meta a se cumprir. Cada coisa vista e acontecida é um grande passo para o seu próximo passo. Lembrem-se, não percam a sua atenção, tudo deve ser interpretado como um imenso karma que vem de repente e muda toda sua vida, indicando-lhes a direção a se seguir, o caminho a ser tomado. Mas você, ser incrédulo, que de tudo duvida e em nada confia, basta lembrar que tudo é por acaso e nada nesta vida passa de uma magnífica coincidência.

Mas então, coincidência ou não, o que deve ser levado em conta e o que não deve? Saber é uma dádiva de poucos, eu mesmo em minhas parcas experiências com o sobrenatural mundo das coincidências ou não, tive o prazer de desfrutar inúmeros fracassos e desilusões. Afinal, o que é real ou não? É pra ser ou não é? Como saber se foi ou se é um sinal alguma coisa que aconteceu ou acontece em nossas vidas? Duro mesmo é viver de esperanças e ilusões, mas não são apenas coincidências, não é mesmo? Gostamos de nos embrenhar em assuntos que não nos dizem respeito, gostamos de criar coisas ocultas à nossa volta, justificar cada alegria com uma coisa que nos foi dada. Seria verdade? Se for verdade, tudo o que eu tenho de bom ou de ruim me foi dado? Creio que não. Acredito que grande parte, pra não dizer a maioria, do que vivemos foi acreditada por nós mesmos. Situações que gostaríamos que estivessem acontecendo conosco e olha que incrível... não é mesmo que elas acontecem? Sou agraciado com tudo a minha volta ou... vejam só: encontro evidências que me mostram que certas coisas, por “coincidência” as que eu quero, foram planejadas subconscientemente por mim. O primeiro passo, foi dado por mim, a primeira frase, antes mesmo que eu a tivesse cogitado, já havia sido arquitetada em meus mais íntimos pensamentos.

Triste, não? Mas então tudo o que mais preso nesta vida não é meu de verdade? Tudo não passa de uma criação do meu desejo? Simples estas respostas, sim... e não! Você pode até achar que é mais uma “coincidência”, mas não é que é mesmo...

(Gostaria de enfatizar que por falta de inspiração, este texto encontra-se mal acabado, caso queiram, deixem suas impressões. Obrigado)